
46x61cm
Acrylic, oil pastel and water soluble crayon
September 2025
EN
“Domus Gratiae Nostrae” is a house-warming gift for two dear friends, and it began with a simple request: “something with a vase”. But in the unfolding of the work, it became much more - a love letter to tenderness and shared joy, to the invisible ways people care for each other. I don’t know them deeply, but I’ve seen the way they look after others, how they listen, how they laugh, I have felt enough love in my heart. This is the essence of their home, you wouldn’t ever miss it. And so, this painting comes as a celebration of this incredible feeling and as a sacred blessing, a wish for tenderness to keep growing inside two people who already know how to care.
The composition starts out with “something with a vase” - what they didn’t know is that this painting would be about so much more. The vase-like figure they asked for wound up representing them, as a symbol for what holds and gives us the blessed wine of joy and love, filling the cups that surround it. We are those cups - our little friend group, gathering, openly waiting, sharing life together. Their love and care fills us without needing occasion. And again and again, they pour into us.
The ribbon, flowing its way through the painting, is an ode to playfulness and slight mischief - its curves unbound, spontaneous and light, like laughter that travels across a room, connecting us all.
It holds a key, a nod to their new home, yes, but more than that, it speaks of welcome and trust, a place where you are met with tenderness, where you're remembered in small details, where your feet can safely land.
The soft colors may make you think you’re dreaming, but this is very much what real life feels like around them - sunny yellows, warm pinks, wine reds, grounding violets, like soft light touching the living room through curtains at the end of the day. They're emotional tones more than visual choices. They feel like warmth filling up your chest when you're surrounded by people who love without needing to prove it.
The phrase — Domus Gratiae Nostrae — was the last thing added, but maybe the heart of it all. It means “the home of our grace” or “our gracious home”. And grace, here, is not religious, but emotional. It’s the grace of choosing each other daily. Of staying soft in a hard world. Of letting love be easy. Of coming home not just to a space, but to a person, a feeling.
In the end, this painting is a quiet offering, but a full one at that. It was made to hang in a room where life is shared, to quietly bless the hours as they pass. To hold space the same way its owners do - gently wishing you the best. A prayer disguised in color. A key to something wordless.
May this home be a place where tenderness pours without being asked, and the cups are never truly empty. May you always feel what you so freely give and may this home reflect the grace you carry within you.
This is for Daniel and Nicole - a quiet offering, from one of the cups you’ve been filling.
— With all my love,
Catarina
PT
“Domus Gratiae Nostrae” é um presente para a nova casa de dois amigos queridos, e começou com um pedido simples: “algo com um vaso”. Mas à medida que a obra foi ganhando forma, tornou-se muito mais do que isso - uma carta de amor à ternura e à alegria partilhada, aos gestos invisíveis com que cuidamos uns dos outros. Não os conheço profundamente, mas vi a forma como cuidam dos outros, como ouvem, como riem. Senti amor suficiente no meu coração. Esta é a essência da casa deles - é impossível não notá-la. E por isso, esta pintura é uma celebração desse sentimento incrível, e também uma bênção sagrada: um desejo de que a ternura continue a crescer entre duas pessoas que já sabem como cuidar.
A composição começa com “algo com um vaso” - mas o que eles não sabiam é que esta pintura acabaria por ser sobre muito mais do que isso. A figura quase-vaso que pediram acabou por representá-los, como símbolo daquilo que nos sustém e oferece o vinho abençoado da alegria e do amor, enchendo os copos que a rodeiam. Esses copos somos nós - o nosso pequeno grupo de amigos, que se reúne, que espera de coração aberto, que partilha a vida. O cuidado e o amor deles preenchem-nos, sem precisarem de uma ocasião. E, vez após vez, continuam a encher-nos.
O laço que serpenteia pela pintura é uma ode à leveza e ao espírito bem-humorado; as suas curvas soltas, espontâneas e leves, como uma gargalhada que atravessa a sala, ligando-nos a todos. Transporta uma pequena chave - uma referência à nova casa, sim, mas mais do que isso, fala de acolhimento e de confiança. De um lugar onde somos recebidos com ternura, onde somos lembrados nos pequenos detalhes, onde os pés podem pousar em segurança.
As cores suaves podem dar a sensação de que estamos a sonhar - mas esta é exatamente a sensação de estar com eles. Amarelos solares, rosas quentes, vermelhos-vinho, violetas que ancoram - como luz suave a atravessar as cortinas da sala ao fim do dia. São tons emocionais, mais do que escolhas visuais. Sentem-se como um calor a encher o peito quando estamos rodeados por quem nos ama sem precisar de o provar.
A frase — Domus Gratiae Nostrae — foi a última coisa a ser acrescentada, mas talvez seja o coração de tudo. Significa “a casa da nossa graça” ou “o nosso lar gracioso”. E aqui, a graça não é religiosa - é emocional. É a graça de se escolherem um ao outro, todos os dias. De manterem a suavidade num mundo duro. De deixarem o amor ser fácil. De regressar a casa não apenas a um sítio, mas a uma pessoa, um sentimento.
No fim, esta pintura é uma oferenda silenciosa - mas cheia, carregada de intenção. Foi feita para habitar uma sala onde a vida se partilha. Para abençoar discretamente as horas que passam. Para segurar o espaço da mesma forma que os seus donos seguram: com gentileza, sempre a desejar o melhor. Uma oração disfarçada em cor. Uma chave para algo sem palavras.
Que esta casa seja um lugar onde a ternura se derrame sem ser pedida, e onde os copos nunca fiquem verdadeiramente vazios. Que sintam sempre aquilo que oferecem tão naturalmente. E que este lar reflicta a graça que carregam dentro de vocês.
Esta é para o Daniel e a Nicole - uma oferenda silenciosa, de um dos copos que têm enchido.
— Com todo o meu amor,
Catarina